Bolsonaro vai propor mudança no sistema eleitoral já em 2019

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Em pronunciamento por vídeo no encerramento da Cúpula Conservadora das Américas, realizada neste sábado, em Foz do Iguaçu (PR), o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que vai propor uma reforma do sistema eleitoral no Brasil já no ano que vem.

Ou mudamos agora o Brasil, ou o PT volta, com muito mais força do que tinha.

Segundo o presidente eleito, “não está em jogo o sucesso ou o fracasso” do seu mandato, mas “o fracasso ou o sucesso do Brasil”. “E o que está em jogo? É a nossa liberdade. Nós sabemos das armas que eles [os petistas] usam para atingir o seu objetivo.”

Após essa fala, Bolsonaro lançou nova suspeita de fraude nas eleições de outubro passado, embora ele tenha sido o vitorioso, e explicitou o plano de revisar, no primeiro semestre de 2019, o processo eleitoral brasileiro.

Nós pretendemos então no primeiro semestre [fazer] uma boa proposta de mudança do sistema de votação no Brasil, porque eu e muitos entendem que nós só ganhamos a vitória [sic] porque tínhamos muito, mas muito mais votos do que eles. E tivemos uma situação parecida, de um certo equilíbrio.

Bolsonaro obteve 57.797.847 de votos, contra 47.040.906 de votos do seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT).

O capitão reformado do Exército falou então ao público presente explicitamente em “desconfiança” em relação à lisura do modelo atual de votação.

“Não estou aqui fazendo uma afirmativa, a desconfiança da possibilidade de fraude é uma coisa na cabeça de muita gente aqui no Brasil. Não é porque nós ganhamos agora que devemos confiar nesse processo de votação. Queremos é aperfeiçoá-lo”, frisou.

O presidente eleito afirmou em seguida que, embora integrantes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julguem o modelo seguro e tenham dito a ele, Bolsonaro, para não se preocupar, é preciso sempre se preocupar, “não interessa o que aconteça”, disse.

“Eles [os petistas] não dormem no ponto, eles não perdem por esperar para mudar o destino do nosso Brasil.”

Caçando comunistas desde a juventude

No pronunciamento, Bolsonaro lembrou que luta contra ideologias de esquerda desde os anos de 1970, quando era ainda um garoto, antes portanto da fundação do PT, citou, nos anos de 1980.

À época da juventude, antes de ingressar em escolas militares, Bolsonaro morava com a família em Eldorado (SP), no Vale do Ribeira, e o ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, ícone da esquerda, estava na região, escondido e treinando colegas para a luta armada. Conhecedor da geografia local, Bolsonaro ajudou soldados na caça a Lamarca através das matas.

O presidente eleito afirmou que movimentos de esquerda “sempre vão para os locais mais pobres para, a partir dali, crescer”, como era (e ainda é) o caso do Vale do Ribeira.

O oxigênio deles é a população mais pobre.

E, uma vez alcançado o objetivo da esquerda de convencimento dos mais pobres, disse Bolsonaro, as “consequências”, ruins para todos e piores para os próprios pobres, seriam algo do feitio de Cuba.

“Aqui na América Central o exemplo mais claro disso aí é Cuba. A gente fica aqui às vezes pensando como aquele povo sofrido vai se libertar disso. É muito difícil, às vezes a gente diz que é quase impossível, mas temos de ter esperança.”

Aos participantes da cúpula, o capitão reformado lembrou do atentado a faca que sofreu, no dia 6 de setembro, e o posicionou como o fato mais difícil de toda a campanha eleitoral.

Bolsonaro citou o ocorrido como exemplo de suposto aparelhamento ideológico do Estado por figuras ligadas ao PT e daí lançou dúvida sobre o potencial conclusivo das investigações, porque Adélio Bispo de Oliveira, o autor da facada, é ex-militante de um partido de esquerda, o PSOL.

Há um aparelhamento de todas as instituições no Brasil.

Bolsonaro encerrou sua participação, de cerca de dez minutos, feita diretamente de sua residência, no Rio (ele estava sentado numa cama, num quarto), falando em “lutar pela liberdade”, que chamou de bem maior.

A Cúpula Conservadora das Américas contou com participação de lideranças alinhadas a pautas conservadoras de países da região, como Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai, Venezuela e Cuba, além do Brasil.

Um dos moderadores dos debates foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito.

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