Travesti perde o olho após tentativa de homicídio: “Transfobia ou envolvimento com drogas”

Gptrans repudiou qualquer forma de violência contra travestis e transsexuais e revelou que o maior desafio grupo é a conscientização da população ao respeito das liberdades individuais

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Mikaela Oliveira, 25 anos, travesti, vítima de uma tentativa de assassinato na noite do último sábado (02/02) na zona Sul de Teresina. A polícia disse que ela estava em um ponto de drogas quando foi atingida por um tiro possivelmente efetuado por um menor de idade.

Quando há um caso envolvendo grupos em maior vulnerabilidade social o questionamento é se foi transfobia? – preconceito, ódio, e aversão a travestis e transsexuais. Segundo informações repassadas por Joattan Gonçalves da Gerência de Policiamento Metropolitano (GPM) ainda não se pode ter certeza.

“As investigações ainda não apontaram de forma definitiva qual teria sido a motivação, até porque não prendemos os suspeitos. Necessitaremos de uma decisão judicial para prendê-los, só aí que vamos saber o real motivo. Por enquanto, só especulações”.

Transfobia não é a única possibilidade apontada pela polícia, Mikaela poder ter envolvimento com drogas e ter sido vítima disso, segundo Joattan Gonçalves. Afinal, o mundo do crime e da prostituição são portas sempre abertas no meio de uma sociedade que exclui, oprime, mata transsexuais e investe tão pouco em políticas públicas de inserção.

PIAUÍ NÃO ESTÁ ENTRE OS QUE MAIS MATAM

O Piauí não está entre os estados do Brasil que mais mata travestis e transsexuais. Segundo o dossiê dos assassinatos e violência contra pessoas trans, em 2018 o Piauí registrou dois homicídios contra essa população, ficando na 19º posição entre os estados brasileiros. O campeão foi o Rio de Janeiro com 16 assassinatos.

“Ele foi a um determinado local na Ilhotas com vários pontos de venda de drogas. Chegando lá ela foi abordada por duas pessoas e estamos investigando que possivelmente uma delas seja menor de idade, a que deferiu um tiro no rosto dela. Ela foi levado da Ilhotas para uma calçada nas proximidades do Corpo de Bombeiro e de lá foi resgatada e levada ao Hospital de Urgências de Teresina”, afirmou Joattan Gonçalves.

O Grupamento de Polícia Metropolitana informou que tem informações de que pelo menos três pessoas participaram do crime. As investigações continuam com o  6º Distrito Policial, por determinação do delegado geral da Polícia Civil, Lucy Keiko.

“DESAFIO É CONSCIENTIZAR”
OitoMeia procurou o Grupo Piauiense de Travestis e Transsexuais (Gptrans) em busca de ouvir quem vive na pele a violência e preconceito que só ganha holofotes e notoriedade com uma tentativa de homicídio.

“Vivemos num processo de construção sócio-cultural e queremos sensibilizar as pessoas de que os espaços eles tem que ser garantidos para todas as pessoas de forma legítima. Sem colocar a vitimização, tentamos garantir a cidadania das pessoas. Situações de vulnerabilidade existem, mas não podemos ficar reclamando o tempo todo e achando que isso não pode ser mudado”, enfatizou Laura Reis, travesti e associada ao Gptrans.

OitoMeia também procurou Camila Oliveira, irmã de Mikaela que informou que ela vem se recuperando bem. O Gptrans repudiou qualquer forma de violência contra travestis e transsexuais e revelou que o maior desafio grupo é a conscientização da população ao respeito das liberdades individuais.

“Cobramos dos órgãos competentes para que dê ênfase para que seja identificada a pessoa que causou para que possa responder na forma da lei, saia de circulação para outros casos não venham a acontecer. O nosso maior desafio é conscientizar a população em geral dessas situações para que entendam que cada pessoa deve ser respeitada na sua individualidade”, finalizou Laura Reis.

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