Derrota para o Colón expõe a grande fraqueza do São Paulo: propor o jogo contra rivais recuados

0
Diego Souza, São Paulo x Atletico Colon, pela Copa Sulamericana, no estádio do Morumbi, em São Paulo, SP 02/08/2018 Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Nas últimas semanas, ouvimos muito que o São Paulo é uma equipe reativa. Os contra-ataques da equipe foram exaltados em todos os programas esportivos enquanto a equipe vencia os jogos, mas um detalhe foi pouco mencionado neste período. Desde a volta da Copa do Mundo, o São Paulo tinha feito quatro jogos e, em todos eles, teve menos posse de bola que o adversário. A ideia do time é deixar o rival ficar com a bola, se fechar na defesa e matar o jogo nas poucas chances que possui.

Contra o Colón, pela Sul-Americana, o feitiço se virou contra o feiticeiro.

Tendo que propor o jogo e criar chances, o São Paulo se enrola muito. Isso não é de hoje, não é culpa dessa equipe de Aguirre, pois o problema se repetia sob o comando de Dorival Jr e também de Rogério Ceni (se lembram daquele fiasco contra o Defensa y Justicia?). Ter a maior posse de bola e precisar furar uma retranca é um problema tremendo para o Tricolor, infelizmente. Não adianta rondar a área rival, cruzar algumas bolas, mas pouco criar. O goleiro argentino sujou o uniforme tão quanto o Jean, mas com a diferença de que não sofreu gol.

O Colón se fechou na defesa e deu a bola para o Tricolor. Isso não é problema nenhum, é o esquema de jogo deles e é bem válido em um mata-mata. É uma tática que tem sido bem utilizada pelo São Paulo recentemente, complicando a vida de equipes poderosas, especialmente quando o time paulista joga fora de casa. Sendo assim, o futebol dos argentinos não era surpresa para ninguém no Morumbi e, mesmo assim, o São Paulo se enrolou todo com a bola nos pés. Foi feio, muito feio.

Quando o time precisou do talento de Nenê, ele se escondeu do jogo. Foi difícil lembrar da presença dele em campo, especialmente armando jogadas. Everton e Reinaldo não falaram a mesma língua, assim como Rojas e Militão, praticamente anulando as jogadas de pontas do time. Diego Souza… desse aí eu falo depois, esperem.

Enfim, o São Paulo mostrou que sabe muito bem jogar em contra-ataques, sendo reativo, mas é um desastre quando se encontra na situação oposta. As poucas chances de gol criadas contra o Colón foram em bolas paradas. Não houve alguém que criasse espaços ou que arriscasse chutes de fora da área. Eles fizeram isso uma vez, contaram com a sorte e venceram a partida. Foram objetivos, como a gente está fazendo no Brasileirão, e saem em vantagem. O problema é que o segredo tricolor foi revelado, então aguardem problemas parecidos nos próximos jogos do Brasileirão, contra Vasco, Sport, Chapecoense, Paraná e Ceará. Pois é, o São Paulo ainda vai pagar pelo crime que inventou.

Pegamos Flamengo e Cruzeiro com nossa tática de contragolpes. Contra o Grêmio, ela não funcionou e levamos a virada. Contra o Colón, sentimos na pele o que nossos rivais brasileiros sentiram conosco. Castigo merecido.

Obs: eu preciso falar do Diego Souza. Não me interessa se ele foi agredido antes, o chute que ele deu no argentino foi na minha frente no estádio e foi a mais pura covardia. Uma bicuda pelas costas é uma coisa lamentável que nenhuma cabeça-quente explica, ainda mais para um jogador tão experiente e rodado como ele. Errou feio e deu sorte que não foi expulso. Uma pena para o São Paulo, claro, porque o tanque estará em campo no próximo jogo, lá na Argentina.

Obs 2: se um jogador experiente como o Diego Souza foi tão idiota, quem somos nós para julgar o jovem Brenner de apenas 18 anos? Entrou no meio de um jogo pilhado, com o time perdendo, se irritou com a falta e foi o juvenil que ainda é. Esperamos que ele aprenda com o erro, diferente de um certo camisa 9…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here